Psicologia Infantil é uma área que como o próprio nome indica se debruça sobre a criança e o seu funcionamento. É uma área muito vasta que abrange a faixa etária desde o nascimento até à adolescência. Para o técnico perceber bem a criança, é necessário que tenha presente as várias etapas do seu desenvolvimento, desde a gestação até à fase “quase” adulta. Durante este processo a criança vai ultrapassar fases nas quais se vai desenvolvendo e adquirindo competências que vão ser essenciais para se tornar num adulto saudável tanto física como psiquicamente, desenvolvendo assim também a sua personalidade.
A criança deve ser vista como um todo, emocionalmente e intelectualmente, estando estas duas componentes intimamente interligadas enquanto se vão desenvolvendo. A forma como uma criança desenvolve os seus afectos vai influenciar a forma como se vai desenvolver cognitivamente e o inverso também acontece. Quando uma criança aparenta ter dificuldades de aprendizagem, o técnico não deve cingir-se à avaliação da área cognitiva sem perceber que outros condicionantes possam existir na sua vida familiar, cultural e emocional, que impeçam a criança de fazer uma aprendizagem adequada.
Uma criança que esteja a vivenciar problemas no seu meio familiar, por vezes não se consegue abstrair deles e concentrar-se nas tarefas escolares. O inverso também ocorre, por exemplo, uma criança que sinta dificuldades em aprender, pode começar a sentir baixa auto-estima, que se traduz numa imagem negativa de si própria e isso vir a prejudicar ainda mais esse problema. No entanto, não são só estes dois exemplos que acontecem, a criança que tem problemas familiares que condicionam a sua aprendizagem, e que vão traduzir-se em maus resultados escolares, levam-na também a sentir-se incapaz quanto às suas competências, quer no seu ambiente familiar, quer na escola.
Inicialmente é a família e o meio onde a criança está inserida que vai determinar o seu desenvolvimento adequado. Isto pressupõe que na sua vida emocional existam uma figura materna e uma figura paterna e que as relações entre si sejam equilibradas. Para uma boa adequação social é necessário que se dê uma boa integração das regras e limites. Os pais têm que saber dizer NÃO na dose necessária, de forma a que a criança consiga suportar adequadamente a frustração (Strecht, 2005). O pediatra e psicanalista Winnicot, referia que "a mãe deve ser suficientemente boa", quer com isto dizer que os pais devem corresponder às necessidades dos filhos, mas ensinando-lhes que não poderão ter todas as suas necessidades satisfeitas no imediato.
É após a entrada para a escola, onde a criança passa a maior parte do tempo, que os problemas podem começar a surgir, com uma sintomatologia especifica em forma de perturbações da aprendizagem e/ou comportamentais e/ou somáticos. É assim necessário que os técnicos de ensino e os pais saibam identificar quais os sintomas e encaminhar a criança para um técnico da área do desenvolvimento infantil.
Em resumo, “o desenvolvimento e a maturação da criança são por si fontes de conflitos que, como qualquer conflito, podem suscitar o aparecimento de sintomas” (Marcelli, 2005), por isso, quer em família, quer na escola, é importante estar-se atento de forma a agir o mais rapidamente possível, minimizando assim probabilidade de evolução para um quadro mais patológico.
Fonte: http://mariajoaomoura.blogspot.com
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segunda-feira, 14 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
TDAH em bebês e crianças pequenas
Se o TDAH é um transtorno de base orgânica – genética (herdada de seus pais) ou congênita (decorrente de problemas da gestação ou parto), ele deve estar presente na criança desde seu nascimento. Sendo assim, por que se diz que o diagnóstico não pode ser feito antes dos 5 ou 6 anos de idade?
Muitas das crianças que sofrem de TDAH, especialmente do tipo hiperativo, já apresentam todos os sintomas de TDAH e hiperatividade desde muito cedo. Contudo, muitas outras crianças – especialmente meninos – quando comparados a outras crianças apresentam um certo atraso em seu amadurecimento, tanto cerebral quanto cognitivo, motor e/ou social. Até uma certa idade, podem ser mais agitados e ativos que as outras crianças, mas com o tempo acabam equiparando-se a elas.
Uma parte importante do amadurecimento cerebral – as conexões entre as diversas áreas – só se completam bem mais tarde, no início da idade adulta. Outras áreas, igualmente importantes, já estarão “prontas” em torno dos 8 anos de idade – por esta época, os sintomas maiores de agitação podem desaparecer.
Quando há queixas de hiperatividade, agitação ou desatenção em crianças pequenas ou bebês, é fundamental nunca compará-los com outras crianças de idade superior – a comparação deve ser sempre feita em relação à mesma faixa etária.
Poucas crianças pequenas conseguem prestar atenção a algo por muito tempo – mesmo a um brinquedo que gostem muito. Quantas delas conseguem parar de chorar ou ficar bem quietinhas? Na escola, quantas conseguem ficar várias horas sentadas sem reclamar, fazendo suas tarefas? Poucas, com certeza.
O normal é que as crianças tenham comportamentos exploratórios, que se aventurem em descobrir coisas, que brinquem muito, que façam experimentos com o mundo ao seu redor. É desta forma que elas irão se desenvolver com saúde.
Quanto menor a criança, mais difícil é o diagnóstico. Isto é um problema importante especialmente quando se trata de crianças muito pequenas ou bebês com sinais muito intensos de agitação, irritabilidade e descontrole emocional, muito superiores a outras crianças da mesma idade.
Devemos lembrar que há uma série de outros problemas, além do TDAH e hiperatividade, que podem tornar uma criança muito agitada, inquieta, impulsiva ou agressiva. Por isto é importante fazer um bom diagnóstico diferencial, especialmente em crianças pequenas, para garantir os tratamentos indicados o mais cedo possível.
Fonte: IPDA -
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domingo, 23 de outubro de 2011
Quando levar meu filho(a) à um psicólogo?
Quando meu filho está tendo algum comportamento que esteja prejudicando sua qualidade de vida ou interferindo no seu cotidiano. Ou seja, algum comportamento que ele tenha, está prejudicando significativamente seu relacionamento em casa, com os amigos; seu desempenho na escola ou ainda sua saúde de forma geral.
Temos algumas outras questões sobre as quais seria importante pensar:
- Há quanto tempo persiste o comportamento ?
- Foram feitas tentativas de ajudar a criança a superar esta situação ?
- A criança respondeu bem, mas depois voltou ao comportamento, ou a tentativa não teve sucesso?
- Existe apenas um problema, ou o problema visível (apresentado) faz parte de um número maior de problemas, alguns dos quais talvez não sejam imediatamente óbvios ?
- Talvez não seja um problema com ele, de fato, mas não estou conseguindo lidar com esta situação, neste momento?
A seguir, colocarei algumas situações que podem nos indicar a necessidade de uma avaliação:
As crianças em geral mostram sua angústia direta e claramente através de seu comportamento (por ex. sentir medo frequentemente, fobia, ficar zangada, bater, chorar, ficar agitada e/ou apresentar falta de atenção constante, comportamentos ritualísticos – ex: lavar as mãos muitas vezes,... queixar-se de dores de cabeça, estômago, falta de ar sem motivos aparentes ou orgânicos previamente avaliados por um médico, compulsão ou ainda apresentar outros comportamentos marcantes e inadequados).
Às vezes, no entanto, elas se comunicam de maneiras mais sutis. Por exemplo, as crianças podem ficar muito quietas ou retraídas (um comportamento aparentemente não problemático), podem ficar relutantes em brincar com outras crianças ou mostrar menos imaginação quando estão brincando.
Esses são alguns sintomas ou sinais que podem indicar que seu filho precisa de ajuda.
Num primeiro momento o profissional que o atender fará entrevistas com a família, após o que se iniciará o período de avaliação da crianças, que deverá ter duração de algumas sessões.
Então, o psicoterapeuta lhe dirá qual é a sua opinião. Se ele julgar que existe um problema, pode recomendar que seu filho entre em tratamento.
O tratamento psicoterápico é bastante variável quanto aos procedimentos à serem utilizados e a sua duração. Estes aspectos dependerão do tipo de questões que seu filho apresenta, bem como da aderência não só da criança, mas também da família ao tratamento. E este é um ponto muito importante a ser abordado: quando uma criança entra em processo de psicoterapia, o acompanhamento, a participação e a aderência da família são fundamentais para que se obtenha o melhor resultado. E o melhor resultado, por assim dizer, sempre será o bem estar do seu filho e de sua família.
A prevenção e o tratamento psicoterápico na infância e na adolescência oferecem maior possibilidade ao seu filho de não cristalizar comportamentos que poderão ser nocivos à sua vida, de modo a embotar consideravelmente a possibilidade de aproveitamento das oportunidades que a vida pode lhe oferecer tanto do ponto de vista dos relacionamentos quanto da vida profissional e todos os demais aspectos que a envolvem.
Assim, percebendo a necessidade, procure serviço especializado.
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