quarta-feira, 16 de novembro de 2011

COM A PALAVRA, O BEBÊ


A IMPORTÂNCIA CRUCIAL DOS PRIMEIROS ANOS DE VIDA: COM A PALAVRA, O BEBÊ



As estatísticas mostram que alguma coisa não vai bem nesse mundo. O índice crescente de problemas sociais e a proliferação de livros de auto-ajuda e técnicas de terapia para recuperar a criança interior atestam o triste fato de que nos perdemos no caminho da criação de filhos.

Cabe a nós, pais - apesar de nossas limitações pessoais - dar aos filhos um bom ponto de partida para a vida: ajudá-los a se tornarem adultos emocionalmente saudáveis e satisfeitos, capazes de amar e de confiar nas pessoas.

 O filósofo Blaise Pascal escreveu que " uma pedrinha afeta um oceano inteiro". Nossos filhos precisam ser pedrinhas que criam ondas de alegria e não de mais tristeza e sofrimentos.

As reflexões atuais sobre nossa incapacidade de preencher as necessidades das crianças apontam para a importância dos primeiros anos de vida, evidenciando que os três primeiros anos são particularmente importantes.

 O quê devemos fazer nesses primeiros anos para assegurar que nossos filhos tenham a melhor oportunidade de se tornar saudáveis e felizes como eles merecem?

 Imagine o que uma criança dessa idade nos recomendaria se pudesse falar:


Tenho onze meses.
Se ignoram meu choro, acontece que minhas necessidades aumentam e eu me sinto ainda mais infeliz. Ainda por cima eu tenho que enfrentar o fato de que ninguém parece se importar comigo. Tenho certeza que mamãe sentiria a mesma coisa se ela estivesse chorando e papai não ligasse para ela. É arrasador imaginar que ninguém se importa com você.

Quando minhas lágrimas são ignoradas eu começo a pensar que não importa o quê esteja errado comigo e nem o quanto eu chore, jamais serei atendido. Tenho medo, porque se eu não for atendido, pode ser que eu morra, pois ainda não sou capaz de satisfazer minhas próprias necessidades. Sabe, eu não tenho noção de tempo e para mim dois minutos parecem uma eternidade.
Às vezes eu paro de chorar - mas não estou aprendendo a ser paciente - aprendi o que é o desespero. Quando paro de chorar, quer dizer que perdi toda a esperança de voltar a ser amado um dia e tudo o que sinto é desamparo e desânimo. Temo jamais aprender a me expressar em palavras se não me permitirem que eu me expresse chorando. E temo que se me frustrarem assim muitas vezes, eu me retraia e não sinta mais nada.
É claro que é assustador pensar que ninguém se importa em satisfazer as minhas necessidades. na verdade, quando meus gritos são ignorados eu começo a imaginar que o mundo é um lugar ruim e temo que com isso eu enxergue a vida de um modo negativo e egoísta. Mas quando as minhas necessidades são satisfeitas eu me sinto amado e seguro o suficiente para retribuir esse amor aos outros e mais tarde para meus próprios filhos. Eu quero sim me tornar uma pessoa amorosa e responsável, mas como vou aprender a ser assim se não tiver um exemplo a seguir?
Fico muito sozinho quando meus pais se afastam de mim. Durante nove meses eu e mamãe fomos inseparáveis e eu senti muito amor dentro dela. Ela era tudo o que eu conhecia quando cheguei nesse estranho planeta. Vou precisar de algum tempo - uns três anos ou mais - até eu desenvolver confiança e estar preparado para outras pessoas cuidarem de mim. Quanto mais seguro eu me sentir agora, menos tempo será necessário. Se eu for obrigado a enfrentar essa separação antes de estar pronto, vai demorar um pouco mais. Na verdade, talvez eu nunca atinja o nível de maturidade que eu espero alcançar quando for adulto.

À noite eu gosto de dormir perto de meus pais. Poder tocá-los e ouvi-los na escuridão da noite é o único modo de eu saber que eles não desapareceram. Tenho outras razões para querer que estejam por perto: sua presença ajuda a regular os batimentos do meu coração, minha pressão, temperatura e ciclos de sono, e sua respiração regula a minha própria!
Adoro mamar no peito. O leite materno é o melhor alimento para mim, tem substâncias importantes que o leite em pó não tem e que me ajudarão a permanecer saudável durante muitos anos. Quando mamãe me amamenta ela produz um hormônio que a deixa feliz também. Melhor de tudo, a amamentação me aproxima de mamãe.

Não tenho a intenção de tirar proveito de meus pais. Eu os amo profundamente. Só estou pedindo os mesmos cuidados que foram dispensados aos bebês por milhares de anos, antes de nossa época. Se minhas necessidades forem preenchidas eu serei livre para demonstrar todo o amor e confiança com que nasci. Tudo o que eu desejo é uma oportunidade de expressar plenamente esse amor.
Ainda não posso falar, então quando eu sinto sede, cansaço, quando estou molhado, sozinho, doente ou com dor, eu choro. Esse é o único meio de que disponho para mostrar a meus pais que alguma coisa não vai bem.
 

por Jan Hunt, Psicóloga Diretora do "The Natural Child Project"

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